O contexto atual é palco de grandes e crescentes transformações em suas diferentes esferas – economia, relações de trabalho, meio ambiente, política, tecnologia etc. Tais transformações não são inócuas, provocando os mais diversos efeitos sobre pessoas, empresas e organizações. Na realidade, esse novo contexto tem imposto grandes desafios naquilo que diz respeito à gestão das organizações, com ou sem fins lucrativos. Em grande medida, esses desafios refletem questionamentos impostos pela sociedade a um padrão de gestão fortemente baseado em uma racionalidade estritamente econômica, responsável por práticas nem sempre voltadas para o respeito ao ser humano e ao meio ambiente.
Existe, portanto, um certo clima de inquietação, de questionamento das práticas, dos saberes e do ensino em administração. Como aponta pesquisa realizada pelo Conselho Federal de Administração (CFA) no ano de 2006, junto a administradores, professores, empregadores e outras organizações, as instituições de ensino superior (IES) que oferecem cursos de graduação em administração têm procurado adequar seus currículos às novas demandas. Assim, existem lacunas que precisam ser preenchidas, sendo que as principais, conforme a pesquisa citada, referem-se a conteúdos relacionados ao empreendedorismo, ao desenvolvimento sustentável e ao comportamento ético empresarial.
É justamente nesse sentido que Omar Aktouf clama por uma renovação do ensino da Administração, quando aponta que uma das principais reflexões que deveriam nortear os professores em gestão seria: "Integrar a preocupação com a ética nos atos de gestão, a preocupação com as conseqüências diretas e indiretas das atividades da empresa sobre as pessoas, sobre a sociedade e sobre a natureza."
Paralelo a isso, o curso de bacharelado em Administração obteve um significativo aumento de sua procura. Talvez, esse fenômeno seja reflexo do reconhecimento da sociedade em relação à importância do saber do administrador para o desenvolvimento sustentável da nação. Ressalte-se, no entanto, que esse reconhecimento ocorre ao mesmo tempo em que se exigem novas e renovadas posturas e comportamentos dos administradores, conforme afirmações precedentes.
Em termos regionais, é sabido que o Norte de Minas é historicamente marcado por índices de desenvolvimento inferiores àqueles observados na maioria das regiões do Estado. Isso representa clara necessidade de ações voltadas ao desenvolvimento econômico e social da região, essencialmente perpassadas pelo eixo da sustentabilidade ambiental e com vistas à melhoria da qualidade de vida das pessoas. Com efeito, o papel desempenhado pelo Administrador é de extrema importância e não pode estar dissociado da realidade a qual está relacionado (social, humano, meio ambiente).
Diante do exposto, cabe à cada IES questionar e reorientar o processo formativo de seu curso de administração, adequando-o às novas exigências sociais, através de um debate que se inicia pelo perfil esperado do egresso e pela definição de quais serão as práticas pedagógicas a serem utilizadas para garantir uma formação orientada para os valores estabelecidos por essa realidade.
terça-feira, 15 de abril de 2008
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Um comentário:
Olá Wallisson,
cheguei aquí pela busca de Blogos do Google usando o termo "Omar Aktouf".
Estou fazendo um post que explica o porquê desta busca e citarei seu blog.
Notei que a última vez que você escreveu no blog foi em julho deste ano. Tá sem tempo? Sem inspiração?
Estou assinando seu feed e espero mantermos contato.
Grande Abraço,
Orlando
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